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AGAPASM estimula surdocegos e multideficientes a superar limites

09/03/2007


Você que está lendo este texto não imagina como seria sua vida se não pudesse enxergar. Pense então que, se além de não enxergar, você também não ouvisse, como seria sua interação com as outras pessoas? De que forma você se incluiria socialmente? Qual seria a sua profissão? As complicações inerentes a uma situação como esta são muitas, mas é possível minorar as dificuldades, como mostra o surdocego Alex Garcia. Superando muitos obstáculos, Alex se tornou especialista em educação especial. Conheça o trabalho que ele desenvolve junto à AGAPASM - Associação Gaúcha de Pais e Amigos dos Surdocegos e Multideficientes e descubra como a vontade de vencer pode transpor qualquer limite.

PW - Como é a realidade dos surdocegos e dos multideficientes no Rio Grande do Sul?
Alex - É bastante complicada. As barreiras à inclusão educacional e à participação social são muitas e variadas. Vão desde as dificuldades próprias da condição de deficiente, até à carência de políticas públicas concretas e inteligentes. Em muitas situações, a negligência da família e de algumas esferas do poder público beiram o abandono total, caracterizando casos primitivos de desenvolvimento.

PW - Há muito preconceito?
Alex - Sim,  mas acredito que o preconceito é algo inerente ao ser humano. O que mais atinge é a negação de nossos direitos e as atitudes voltadas que barram a reivindicação desses mesmo direitos, impedindo nosso crescimento com autonomia e liberdade. Aqueles que sabem se comunicar e têm acesso a uma educação aplicada às suas necessidades são mais facilmente incluídos na sociedade. Em linhas gerais, as principais reivindicações deste público dizem respeito à educação, o acesso à informação e à comunicação, o ingresso no mercado de trabalho e o atendimento qualificado na área da saúde. Estes fatores, se plenamente satisfeitos, trazem autonomia.


PW - Qual a proposta da AGAPASM?
Alex - A AGAPASM busca manter e aprimorar as destrezas daqueles que estão incluídos e conquistar o espaço dos que são mais prejudicados por suas deficiências ou pela negligência do meio. A AGAPASM é relativamente nova, tem apenas 2 anos de vida. Mas já é conhecida no contexto surdocego e multideficiente do Rio Grande do Sul. Especificamente, a AGAPASM se destina a buscar, através de suas ações, uma melhor qualidade de vida para as pessoas surdacegas e multideficientes. Obviamente que toda e qualquer iniciativa, para ser bem sucedida, relaciona-se com outras pessoas e movimentos. Dessa forma, a AGAPASM interage e presta apoio a educadores, gestores, familiares e organizações de natureza similar.

PW – De que forma o trabalho é desenvolvido?
Alex - A AGAPASM busca desenvolver seus objetivos através de orientações e assessorias. Nossa organização possui abrangência em todo o estado do Rio Grande do Sul. O serviço prestado pela AGAPASM é altamente específico e focado em duas vertentes básicas: o campo dos direitos e deveres, sob a ótica da inclusão social, observando-se os preceitos legais esculpidos na constituição brasileira e resolução 45/91 da ONU; e o trabalho de orientação educacional propriamente dito.
 
PW – Como estão sendo os resultados?
Alex - Pude realizar um trabalho pioneiro, idealizado com a preocupação de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Conheci a dura realidade que afetava os surdocegos e multideficientes de nosso Estado. Atuo em vários países como um líder na área da surdocegueira e compartilho experiências e valores com outros líderes mundiais. Desta forma, fizemos avançar rapidamente o contexto surdocego e multideficiente. Esses avanços refletiram na modificabilidade da qualidade de vida dessas pessoas. Creio que nos tornamos pais de uma das mais significativas políticas públicas para surdocegos na história do Brasil.

PW – Refere-te à questão das práticas de inclusão social?
Alex - Sabemos que inclusão significa a adaptação do sistema às particularidades de cada pessoa. Portanto, em tese, quanto mais específica e problemática for a condição apresentada por um surdocego ou multideficiente, mais atrito irá causar para a modificação do sistema operante. Muitos intelectuais consideram que a inclusão acontece somente no seio do grupo e da classe escolar. Sinceramente não acredito em instâncias tão distantes, como a participação de um surdocego em uma classe escolar. Em muitas de minhas atuações como educador no Estado, e presidente da AGAPASM, deparo-me com pessoas em características primitivas de desenvolvimento, trancadas em quartos, enfim, vivendo uma vida que nem elas sabem que fazem parte. Então, com muita dedicação, conseguimos retirá-las do cubículo em que vivem, trabalhando num primeiro momento com a própria inclusão familiar.


PW - Quais as particularidades da educação especial?
Alex - Primeiramente devemos dividir os surdocegos em dois grupos: os pré-simbólicos e os pós-simbólicos. O surdocego pré-simbólico apresenta como particularidade a necessidade de integração com o mundo real, para que seu aprendizado se efetive. Mas as dificuldades de comunicação e interação que ele apresenta, com severidade em muitos casos, não permitem, em um primeiro momento, que esta pessoa seja tratada fora de seu contexto familiar. Também nestes casos existe a necessidade do atendimento educacional individualizado – um educador para cada surdocego - ou dependendo das características de cada um, pode-se atuar em duplas ou trios. A medida em que a educação e o aprendizado avançam, pode-se abandonar aos poucos o atendimento às necessidades imediatas, e iniciar o desenvolvimento de aptidões mais abstratas, estimulando-se o pensamento ao que não se mostra facilmente aos sentidos. Já para os surdocegos pós-simbólicos, a educação acontece inteiramente no mundo do abstrato e do poder comunicativo que eles apresentam. Nestes casos, uma característica educacional que julgo fundamental é o aprendizado-adaptativo, ou seja, fazer com que eles recebam a educação necessária para que possam se tornar aptos às mudanças.

PW - Como se dá a inclusão no mercado de trabalho?
Alex - Quando ocorre a oportunidade de demonstrarem suas habilidades. Quando o meio busca perceber mais as habilidades do que a deficiência. Aqueles que receberam educação e puderam contar com o apoio da família, geralmente possuem grande poder de adaptação, que é uma característica fundamental para o trabalho.

PW - O que a AGAPASM faz neste sentido?
Alex - A AGAPASM apóia os que estão inseridos no mercado de trabalho, prestando orientações e assessorias às empresas e empregadores, sobre suas potencialidades e adaptações.

PW – De que forma a sociedade pode conhecer mais sobre surdocegueira e multideficiência e também sobre a AGAPASM?
Alex - Todos estão convidados a acessar nosso site no endereço www.agapasm.com.br . Em nosso site consta detalhadamente tudo sobre a AGAPASM. O fale conosco está aberto para comentários, perguntas e esclarecimentos. Enfim, se alguém deseja colaborar e interagir conosco, por favor, envie-nos sua mensagem. A AGAPASM terá o maior prazer em atendê-lo.


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